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O Cachimbo do Saci-Pererê

O presente do velho pajé

Conta-se que o Saci-Pererê não nasceu com seu famoso cachimbo. Ele o ganhou de um velho pajé da mata, que via no travesso não apenas um brincalhão, mas também um guardião dos segredos da floresta.

O pajé, antes de partir para o mundo dos espíritos, entregou-lhe um pequeno cachimbo de barro vermelho, dizendo:
— “Com ele, podes assoprar a brasa para espantar os perigos, confundir os homens e proteger os mistérios da mata. Mas cuidado: o fogo que diverte também pode ensinar.”

A fumaça mágica

Desde então, o Saci nunca mais largou o cachimbo.
Com ele, podia fazer redemoinhos de fumaça para desaparecer, amedrontar viajantes ou até guiar quem estivesse perdido — quando estava de bom humor.

Dizem que a fumaça do cachimbo é viva: forma desenhos no ar, como se contasse histórias invisíveis. Quem consegue observar com calma, pode ver nela animais encantados, rostos de ancestrais ou sinais da própria floresta.

O caçador curioso

Certa vez, um caçador tentou roubar o cachimbo do Saci, achando que era apenas um enfeite. Quando tocou no barro, a fumaça se enrolou em seu corpo como cordas, e ele ficou preso em um redemoinho de folhas até amanhecer.

Quando conseguiu se soltar, o Saci apareceu rindo, tragando seu cachimbo:
— “O cachimbo não é de quem o segura, mas de quem conhece o espírito da mata.”

O ensinamento

Por isso, os mais velhos dizem: se na beira da estrada ou dentro da mata você sentir cheiro de fumo e ouvir um assobio, é sinal de que o Saci está por perto, tragando calmamente seu cachimbo mágico.

Ele observa, brinca e ensina, lembrando que a floresta deve ser respeitada, pois até na fumaça há sabedoria.