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A História do Nascimento do Saci Pererê

Há muito tempo, quando o Brasil ainda era coberto por florestas intermináveis e os rios corriam livres, os ventos tinham vontade própria. Eles eram seres invisíveis, brincalhões, que viajavam por todo o território, levando chuva, sementes e histórias. Entre eles, havia um vento diferente: pequeno, veloz e muito curioso, chamado Ventinho Travesso.

Ventinho adorava pregar peças. Espalhava folhas secas na frente das casas, apagava lamparinas e girava chapéus das pessoas. Mas, um dia, ele foi longe demais: roubou um gorro vermelho encantado de uma velha feiticeira da mata. Esse gorro era poderoso, pois dava ao dono a capacidade de desaparecer e viajar com o vento.

A feiticeira, furiosa, lançou uma maldição sobre Ventinho:

“Já que queres brincar com os humanos, serás um deles! Mas nunca esquecerás tua origem.”

Assim, o vento se condensou em forma humana. Seu corpo era pequeno e ágil, sua pele morena como terra molhada, e nos olhos havia o brilho das travessuras. Mas havia um detalhe: por ter sido moldado às pressas, Ventinho nasceu com apenas uma perna, que o ajudava a pular com mais velocidade do que qualquer animal.

Para que nunca perdesse o vínculo com o vento, a feiticeira permitiu que ele mantivesse o gorro vermelho. Ao colocá-lo, podia sumir, aparecer em outro canto e fazer o vento soprar forte.

O menino riu de si mesmo, pegou o cachimbo que a feiticeira deixou como provocação e partiu para o mundo.
E assim nasceu o Saci Pererê, filho do vento e da maldição, guardião das travessuras e das histórias das matas.

Desde então, dizem que, quando um redemoinho surge no meio do caminho, é o Saci voltando para brincar com quem atravessa a floresta.