Site do Saci Pererê

O Saci e seu cheiro de mato
Dizem que o Saci-Pererê, com suas peraltices na mata, sempre foi conhecido pelo cheiro forte de folhas e terra molhada. Esse perfume natural vinha de suas corridas entre bambuzais, de seus saltos sobre troncos e da poeira dos caminhos por onde passava como um redemoinho.
Mas, segundo os mais antigos, nem sempre foi assim… Houve um tempo em que o Saci se descuidou tanto da higiene que até os animais começaram a evitá-lo.
O dia em que o vento reclamou
Certo dia, o vento — seu maior aliado — se aproximou e disse:
— “Saci, amigo, gosto de carregar tuas risadas pela mata, mas teu cheiro está mais forte que fumaça de queimadouro!”
O Saci riu, mas percebeu que até os passarinhos voavam para longe quando ele chegava. A onça não queria brincar de assustar, e até o sapo recusava conversa.
O banho no igarapé encantado
Decidido a mudar, o Saci foi até um igarapé escondido, onde a água era cristalina e cantava entre as pedras. Mergulhou e, para surpresa, a água começou a brilhar. Dizem que esse igarapé era guardado pela Mãe d’Água, que ficou feliz em ver o Saci cuidando de si. Ela presenteou o travesso com um sabonete feito de folhas de pitanga e flores de jasmim.
— “Use sempre, e tua alegria será sentida como brisa fresca, não como tempestade de poeira.”
O novo costume
Desde então, o Saci-Pererê, mesmo correndo por aí e se sujando de barro e folhas, sempre tira um tempo para se banhar no igarapé encantado. O cheiro de mato agora se mistura com notas doces, e até os animais voltaram a brincar com ele.
Alguns dizem que, quando o vento sopra suave e vem um aroma de folhas frescas e jasmim, é sinal de que o Saci acabou de sair do banho e está pronto para aprontar mais uma travessura.