Site do Saci Pererê

Entre as profundezas verdes da mata, existia um lugar que poucos humanos ousavam visitar: a Floresta dos Bambuás. Ali, as moitas de bambu se entrelaçavam como muralhas naturais, formando corredores estreitos e túneis sombreados onde a luz do sol entrava em filetes dourados. No coração desse labirinto, ficava a casa do Saci-Pererê.
Sua morada não era feita de tijolos nem madeira, mas sim de bambus vivos, que se curvavam e entrelaçavam sob seu comando. Ventos suaves, trazidos pelo próprio Saci, balançavam as hastes, produzindo um som suave como flautas invisíveis. O telhado era coberto por folhas largas e resistentes, sempre verdes, que protegiam o interior da chuva e do sol forte.
Dentro, o chão era forrado com folhas secas e macias, onde Saci se deitava para descansar depois de um dia cheio de travessuras. Em um canto, pendurado num galho, estava seu precioso gorro vermelho, que ele cuidava como um tesouro. No centro, uma pequena fogueira de brasa constante aquecia a casa e servia para assar milho e batata-doce, que o Saci adorava comer.
Ao redor da casa, cresciam plantas medicinais, que ele usava para ajudar animais feridos ou viajantes perdidos. Muitos bichos eram seus amigos: o tatu que cuidava da porta, a coruja que vigiava do alto e o macaco que trazia frutas frescas.
Mas o mais curioso era que ninguém encontrava a casa do Saci se ele não quisesse. O bambuzal se movia com o vento, abrindo caminhos secretos apenas para aqueles que o pequeno travesso considerava dignos de entrar. Quem tinha a sorte de ser convidado dizia que aquele era o lugar mais mágico e vivo de toda a floresta.