Menu

A Cama do Saci-Pererê

O mistério no mato

Dizem os mais velhos que, em certas clareiras da mata, há um círculo de capim sempre amassado, como se alguém tivesse dormido ali. Não é lugar de onça, nem de veado. É a cama do Saci-Pererê, onde ele repousa depois de suas travessuras.

A cama aparece quase sempre perto de bambuzais, pés de jatobá ou debaixo de um jequitibá centenário. O capim fica baixo e trançado, como se mãos invisíveis o tivessem penteado. Ao lado, muitas vezes, há um pequeno montinho de folhas secas e galhos finos, arrumados como travesseiro.

O guardião do descanso

O Saci, mesmo sendo rápido como o vento, precisa descansar. Conta-se que, quando se deita na sua cama, ele se enrola no gorro vermelho e dorme profundamente, mas com um ouvido atento para qualquer intruso. Quem passar perto pode ouvir um assobio fraco, que não vem do vento, é o Saci sonhando.

O perigo de se deitar ali

Se alguém ousar deitar na cama do Saci, é melhor se preparar. Ao acordar, a pessoa pode se encontrar no alto de uma árvore, perdida no meio da mata, ou até com as botas amarradas uma na outra. Em alguns casos, o Saci leva embora a memória de como voltar para casa, obrigando o intruso a andar em círculos até pedir desculpas em voz alta.

O presente raro

Mas nem tudo é travessura. Há histórias de caçadores ou viajantes cansados que, ao respeitar o espaço e só se aproximar para admirar, ganharam de presente uma noite de sono tranquila e sonhos cheios de conselhos. Ao acordar, encontraram ao lado um pedaço de cipó em forma de nó, sinal de que o Saci os protegeu naquela noite.

A lição

A cama do Saci-Pererê é ao mesmo tempo abrigo e armadilha. É um lembrete para não tomar o que não nos pertence e para respeitar o descanso até mesmo das criaturas mais travessas da floresta.